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NOTÍCIAS GERAIS
NECROLÓGIO DE PE. GRAZIANO, ESCRITO PELO SUPERIOR PROVINCIAL DA CONGREGAÇÃO
Cles (Itália) 28/08/1940 - São Leopoldo/RS (Brasil) 18/03/2010
Pe. Graziano, religioso pavoniano, nasceu em Cles - Trento, região
montanhosa da Itália, no inverno, bastante coberta pela neve, aos
29/08/1940. Era o filho mais velho e único homem entre três irmãs.
Perdeu o pai muito cedo e, por esta razão, sabia que, crescendo
teria que ajudar a mãe no sustento da família, que enfrentava
dificuldades financeiras. Para preparar-se melhor para o futuro
profissional e por necessidade, buscou o Instituto Pavoniano de
Trento onde ficou como interno. Lá, no convívio com os Religiosos
Pavonianos, sua vocação, que já tinha se manifestado, sutilmente, no
início da adolescência, tomou força e foi se consolidando, apesar
da preocupação de ter que ajudar a família. A mãe, cristã generosa,
quando soube do desejo do filho de se tornar sacerdote, consentiu e,
sem dúvida, com sofrimento silencioso, sempre o acompanhou com
orações. Fez a primeira Profissão Religiosa em 08/09/1963. Cursou
seus estudos de Filosofia e Teologia na Itália, sendo ordenado
presbítero em 07/06/1969. Passou a trabalhar no nosso Centro de
Orientação Vocacional de Susá (Itália). Em maio de 1973 veio para o
Brasil, destinado para trabalhar com pessoas portadoras de
deficiência auditiva no CEAL - Brasília/DF, Centro Educacional
que estava sendo construído na época. A sua especialização abrangia
conhecimentos de tecnologia áudio-protética em campo educacional,
área que estava sendo desenvolvida na época. No Brasil aprofundou
seus conhecimentos pedagógicos, em particular sobre o Ensino
Especial. Desde 1973 até 1990, ficou responsável pelo Centro
Audiológico do CEAL com atendimento também na área pedagógica do
mesmo e Assessor, de 1980 até 1990, da Pastoral da Juventude da
Arquidiocese de Brasília. Em 1991, transferido para São Leopoldo/RS,
passou a ser responsável do Centro Medianeira e depois do Colégio São
Luis. Desde 2000 tornou-se, também, Mestre dos Noviços da nossa
Congregação no Brasil. Eis o resumo quase telegráfico da sua vida.
No Brasil, 17 anos em Brasília e 20 em São Leopoldo. Relato, que
pode dizer tudo, ou quase nada.
De poucas palavras, trabalhador silencioso e incansável.
Em Brasília, o Centro Audiológico se tornou logo, nesta área,
uma referência para todo o Distrito Federal.
Ninguém sabia explicar a atração dos jovens a ele. Talvez,
por ser uns dos poucos que os escutava, que sabia sonhar com eles
através da música. Sensível, se apaixonava. Tocava violão,
uma maneira para tentar materializar suas emoções.
Sempre disponível, era o escolhido para redigir os trabalhos de
grupo, para secretariar reuniões. Nunca se queixava. Tinha uma
capacidade de síntese muito boa e sempre a colocou a disposição da
Comunidade. Projetos e programas haviam sempre um Mestre de Obra
pronto para montá-los.
Sabia organizar encontros, convênios, reuniões. Trabalhava em
silêncio. Nunca veremos o seu nome nos trabalhos realizados na
nossa Província. Assim, suas traduções. Dos textos do pe. Pavoni,
da Regra de Vida, de trabalhos de outros, escritos em italiano,
muita coisa que anda entre nós em português tem a sua mão e o
seu cuidado.
Mestre de Noviços durante muitos anos. Quem conviveu com ele,
sabe como ajudou para que cada um aprofundasse suas motivações e
aprendesse a caminhar sozinho. Não era fácil em mudar de opinião,
mas com ele era possível debater, dialogar, fazer leituras
diferentes sem que ele ficasse irritado. Provocava os Noviços para
que tivessem uma consciência crítica e uma visão amadurecida da
realidade, através de um aprofundamento da fé.
Um amigo. Era sincero. Companheiro e Mestre de Vida. Não se
relacionava facilmente. Todos que conviveram com ele fizeram esta
experiência. Mas quando esta relação se estreitava, era para valer.
Para alguns continuou anos e, agora, choram a perda de alguém com o
qual se confrontar sem medo de serem julgados.
Amou profundamente o Fundador e a Congregação. Acreditava nos
valores da Vida Religiosa. Preocupava-se com a qualidade da Vida
Comunitária. Procurou exercer sua função de Superior com coração
de Pastor.
Nos últimos tempos se apaixonou pelo Centro Medianeira.
Tornaram-se uma única coisa. Sonhou com os educadores, com os
meninos, com os responsáveis das políticas públicas, para que a
qualidade de vida dos menos privilegiados, estivesse ao centro das
atenções, tanto das próprias famílias, para que crescessem com
verdadeiros valores, quanto dos que lidavam com eles, para que
acreditassem na Boa Nova de um Deus Libertador, no mistério de
Morte e Ressurreição. Com o apoio de seus conterrâneos da Itália
começou um projeto, em São Leopoldo, para que os meninos de um
dos bairros mais marcados pela pobreza, tivessem uma Casa digna
para a cultura, a diversão e o lazer. Quem sabe a lembrança da
sua vida leve amigos, e cidadãos a terminá-la, e dedicá-la ao seu
nome. Semente que morre para dar fruto.
Em maio de 2009 apareceram dores estranhas. Aos poucos o
diagnóstico se revelou dramático: câncer no pâncreas. Em setembro,
começou as sessões de quimioterapia. Sabia muito bem onde a doença o
levava, mas até os últimos dias acreditou que tudo podia ser
revertido. Esperava visitar novamente a Itália para rever seus
familiares e, em particular, encontrar ajuda para o Centro Medianeira.
Parecia quase que se encontrasse na fase da negação da doença.
Tentava preencher todos os espaços, quase para dizer a si mesmo e
aos outros que era somente um momento passageiro. Lutou. Foi difícil.
Poucas vezes percebemos se queixar das dores. Entregou-se à vontade
do Deus da Vida, que o tinha convidado para testemunhá-lo, onde
a negação dos valores humanos e o sofrimento pareciam triunfar.
No final, partilhou com os que ele amava a fragilidade e a falência
das forças humanas. A Comunidade passou a celebrar a Eucaristia
no seu quarto. Foi levantado na Cruz. Não foi em vão. O último
presente que nos deixou. Deus o acolheu para participar da
sua Festa que não tem fim.
Faleceu no Hospital Regina em Novo Hamburgo, às 8,00 da manhã,
do dia 18 de março de 2010. Dom Zeno, o Bispo de Novo Hamburgo
que o tinha visitado quando doente, e os sacerdotes da cidade de São
Leopoldo participaram à Celebração Eucarística, antes do seu
enterro. Fica para todos nós sinal de libertação e Ressurreição.
Até logo, pe. Graziano, adeus! Faremos Páscoa juntos!
Pe. Gabriel Criscioti
Superior Provincial dos Pavonianos/Brasil
O DIA DAS MÃES DOS FUTUROS MARCENEIROS
Mais uma vez, celebrando o dia das mães, como sempre, somos
bombardeados de propagandas comerciais tentando nos convencer de
que, quanto mais caro o presente dado melhor será o resultado - como
se os filhos e filhas devessem pagar para as mães pelos serviços
prestados.
Porém, apesar de toda propaganda comercial nesta data - e
poderiam ser outros dias também - pode se transformar num momento
muito especial. Afinal, não se paga por amor de mãe! Entretanto se
agradece por ele.
Esse ano os alunos do curso de marcenaria, com a ajuda do
professor Rafael, encontraram uma maneira muito especial de
agradecer às suas mães pelo fato delas serem mães: criar o
presente!
Cada aluno confeccionou um estojo de madeira para sua mãe, sendo
que todos os estojos tinham o mesmo formato (de coração) e medidas,
porém a pintura e acabamento foram de livre escolha do aluno.
Assim, cada mãe recebeu uma peça única e original como é o amor de
cada mãe para com seu filho.
São Leopoldo 7 de maio de 2010.
Fabricio Prado de Carvalho (noviço pavoniano)
AULA DE MALABARISMO
Você, leitor, já observou com atenção um malabarista atuando? Se
já observou, já se perguntou o quanto isso é difícil? Bem, para o
professor Laerte a pergunta deveria ser essa:
- "Você já tentou praticar malabarismo alguma vez?"
Pelo menos duas vezes por semana o professor de teatro Laerte
Cardoso faz com que seus alunos no CIP (Centro de Iniciação
Profissional - um dos núcleos do Centro Medianeira) pratiquem a
antiga e divertida arte do malabarismo.
São usadas bolinhas, claves e argolas como instrumento de
malabarismo (foi adicionado também o diabolo - instrumento de
malabarismo chinês). Primeiro tenta-se passar o objeto de uma mão
para outra, depois dois objetos e por fim três (como os artistas
circenses fazem).
Será algo fácil ou difícil de fazer? - "Fácil!", Responderia,
categoricamente, o professor Laerte, pois a única dificuldade está em
usar uma inteligência que geralmente deixamos em segundo plano:
a inteligência corporal.
A idéia inicial era que o malabarismo fosse um recurso motivando
a sensibilização do jovem para a oficina de teatro, entretanto tal
recurso mostrou-se eficaz também para o jovem melhorar sua coordenação
motora, sua noção de espaço e, inclusive, sua concentração. Talvez o
simples ato de jogar bolinhas para o alto sincronizadamente possa ser
um exemplo de riqueza que há na simplicidade.
São Leopoldo 7 de maio de 2010.
Fabricio Prado de Carvalho (noviço pavoniano)
EDUCADORES REALIZAM O CURSO BÁSICO DO PAV - PROJETO DE
ALTERNATIVAS À VIOLÊNCIA
Um grupo de educadores do Centro Medianeira participou neste mês
do curso básico do PAV - Projeto Alternativas à Violência,
cuja filosofia central é o Poder Transformador para a paz.
O evento ocorreu nos dias 04 e 05 de maio, com duração de 20
horas, na sede da instituição.
Financiado pelo PRONASCI, o PAV é promovido pelo Serviço de Paz -
SERPAZ, uma ONG sem fins lucrativos destinada a ações que
contribuem para a construção da PAZ.
Três facilitadores do PAV auxiliaram o grupo a vivenciar o
encontro, através de dinâmicas, jogos animados, sociodramas de
situações de conflito e técnicas simples para uma comunicação
efetiva e afetiva. A metodologia utilizada tem como foco
principal a não violência.
Ao avaliar o curso, os educadores expressaram grande satisfação
em participar do encontro. Além de uma capacitação profissional, foi
um momento para a formação humana de cada um, a partir de um
olhar transformador para a sociedade.
Deise Prass Severo
Patrícia Meister
Coordenação Pedagógica
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PALESTRA SOBRE PEDAGOGIA DA ESSÊNCIA E VALORES HUMANOS
No último sábado, dia 17/04/2010, o ir. Diomar proporcionou aos
funcionários do Centro Medianeira um dia de formação sobre o assunto
"Pedagogia da Essência e valores humanos".
"Nos pequenos [crianças] está a base, entretanto os adultos é que
gerem o mundo". Dessa forma o palestrante inicia sua comunicação
no sentido de lembrar aos que lidam com esses "pequenos" a sua
responsabilidade (o próprio nome pedagogia significa conduzir
criança).
Entendendo educação como dar capacidade ao aluno para aprender
(ponto de vista construtivista) o papel do educador seria de ajudar
na aprendizagem orientada. Mas o educador deve orientar em que
sentido? A proposta do palestrante é de uma metodologia da educação
em valores humanos: paz, verdade, ação correta, amor e não violência.
Quem disse que "... a teoria na prática é outra" não
conheceu o ir. Diomar, pois sua dinâmica em todo o dia tratou-se de
um exemplo do seu ponto de vista. Entre outros acontecimentos, vale
destacar o espaço para o debate e as músicas cantadas pelo próprio
palestrante (cujas letras eram cheias de significado). Merece
destaque também a ação dos participantes da palestra nos os
comentários, perguntas, golpe de judô do Michael no ir. Johnson
(encenação), músicas cantadas pelo professor Vinícius e o
questionamento do diretor pe. Flório:
"Entre nossas ações com as crianças quais as que alcançam a
essência e quais as que alcançam apenas a superfície?"
Ao fim, a mensagem do irmão foi de esperança:
"Depois de tudo... contemple o belo das suas ações educativas,
são obras de seu esforço. Se possível faça exposição, socialize tudo!
Assim as crianças aprendem a partilhar idéias".
São Leopoldo 21 de abril de 2010.
Fabricio Prado de Carvalho (noviço pavoniano)
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CENTRO MEDIANEIRA PRESENTE NO III CONGRESSO INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA SOCIAL
Ao longo dos dias 21, 22 e 23 de abril de 2010, aconteceu na
cidade de São Paulo, nas dependências da USP, o III Congresso
Internacional de Pedagogia Social. Representantes de Espanha,
Alemanha, Argentina, Uruguai, Brasil, entre outros, se reuniram
para debater sobre a realidade e sobre os rumos da Pedagogia
Social no mundo.
O Congresso teve um tom muito mais de seminário do que de
congresso, posto que seu caráter foi pouco propositivo ou
deliberativo. O tom do congresso foi muito mais de exposições
teóricas, de caráter formativo, com carga sócio-política,
contextualizações históricas e algumas apresentações de experiências
diversas nesta área da educação. Também foram apresentados
trabalhos enviados de diversos estudantes de cursos universitários
e técnicos do país.
A maior parte das atividades aconteceram na forma de palestras.
O debate não teve espaço principal no evento, pois nas poucas
vezes que ocorreu se resumiu a perguntas aos palestrantes,
sem objetivo de fazer encaminhamentos baseados nas deliberações
dos participantes. Entre os principais temas das palestras
tivemos: a necessidade de pensarmos propostas educacionais
contra-hegemônicas, que consigam superar a educação tradicional
totalmente submetida aos cânones ideológicos dominantes, da produção
pro consumo, que gera indivíduos submissos e consumistas,
sem capacidade de auto-construção reduzidos a meros produtos do
sistema; a questão do poder autoritário que muitas vezes permanece
igual nos espaços não-formais de educação, reduzindo a diferença
entre educação formal e não-formal à mera disputa semântica, sem
caráter prático; a necessidade de definirmos um perfil profissional
para o Educador Social, função desregulamentada e indefinida,
para a partir deste perfil fazer definições curriculares para
cursos universitários e técnicos que formem profissionais de
qualidade para a área. Além das palestras aconteceu uma visita a
Fundação Casa (antiga FASE), que abriga cerca de 80 adolescentes
meninos, de 14 a 17 anos, que praticaram o primeiro ato infracional.
Na parte mais política do Congresso, ou seja, aquela que tratou
das questões práticas desta pedagogia em construção, o Deputado
Chico Lopes (PSB/CE) esteve presente dando informações sobre a
proposta de lei nº 5346/2009, que regulariza a profissão de
Educador Social e seu plano de carreira, e será submetida à
aprovação do Congresso Nacional. Também foi debatida a criação da
Associação Brasileira de Pedagogia Social, que terá suas
assembléias vinculadas aos congressos. A ABRAPsocial nasce como
entidade destinada a fomentar a criação de representações
estaduais e municipais dos Educadores e Educadoras sociais em todo o
Brasil. O próximo passo será a escolha de representantes locais da
ABRAPSocial, que receberão todo o suporte para criação das
representações locais em estados e municípios.
O Centro Medianeira foi representado por uma delegação de nove
educadores. São eles: Patrícia Meister, Juliana Campanhoni, Vinícius
Santos, Carla Rathke, Adriana Branco, Suzana Schutz, Cínthia Wiest,
Rafael Moraes e Lucelaine Silveira. Além do Congresso
propriamente dito, esta equipe visitou o Centro Comunitário Ludovico
Pavoni de São Paulo, em um encontro de troca de experiências
entre diferentes obras pavonianas em regiões também diferentes
do país.
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Enfim, o Congresso serviu para vivenciarmos uma experiência
histórica, onde se inicia um processo de construção de uma nova
forma de fazer educação. O conhecimento de uma caminhada que já
tem, apesar da pouca idade, um acúmulo considerável de experiências
e conquistas, coloca nossa Instituição em um novo patamar, ou seja,
insere historicamente o Centro Medianeira nesta marcha que carrega
em si a esperança de grande parte dos sujeitos educacionais
compromissados com a causa dos pobres e da transformação social de
perfil democrático, inclusivo, humanitário e popular.
Organizadores do congresso 2010:
- Prof. Dr. Roberto da Silva (Professor Livre Docente da Faculdade de Educação da USP)
- Prof. Dr. João Clemente de Souza Neto (Professor do Programa de Mestrado em Psicologia Educacional do Centro Universitário FIEO)
- Prof. Dr. Rogério Adolfo de Moura (Professor da Faculdade de Educação da Unicamp)
- Profª Drª Evelcy Monteiro Machado (Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Paraná)
- Profª Drª Sueli Maria Pessagno Caro (Professora do Programa de Mestrado em Educação do Centro Universitário Salesiano de são Paulo - UNISAL).
Palestrantes:
- Comissão Científica
- Prof. Dr. Bernd Fichtner (Universität Siegen, ALEMANHA)
- Prof. Dr. Geraldo Caliman (Universidade Católica de Brasíia)
- Lic. Jorge Camors (Universidad de la Republica, Uruguay)
- Profª. Drª. Isabel Baptista (Universidade Católica Portuguêsa, PORTUGAL)
- Profª Drª Maria Stela Graciani (PUC/SP)
- Profª Drª Leena Kurki (University of Tampere, FINLÂNDIA)
- Prof Dr José Antonio Caride Gomes (Universidad de Santiago de Compostela, ESPANHA)
- Prof. Dr. Justo Luis Rodriguez Pereda (Universidad Piñar del Rio, CUBA)
"Pedagogia social é buscar fazer visível, o que é invisível".
Bernd Fichtner
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